O governo da Noruega apresentou, nesta segunda-feira (12), um projeto de lei que pretende proibir o véu integral no sistema de ensino nacional, da creche à universidade, por considerar que a vestimenta dificulta a comunicação.

A proibição, prometida no ano passado pela coalizão de conservadores e direita anti-imigração que estão no poder, inclui niqabs e burcas, assim como capuzes e máscaras.

"Não queremos roupa que cubra o rosto nas creches, escolas e universidades", explicou o ministro da Educação e Pesquisa, Torbjørn Røe Isaksen. "Esta roupa impede a boa comunicação, determinante para que alunos e estudantes possam aprender bem", completou em um comunicado.

O projeto de lei, que será objeto de consultas até setembro, não prevê sanções no momento.

O uso do véu integral é pouco frequente na Noruega, ao menos nas escolas, mas é um tema recorrente no debate político. A contratação de uma mulher que usa niqab como diretora de comunicação do Conselho Islâmico, uma organização que representa os muçulmanos, provocou debate no país no início do ano.

A Noruega organizará eleições legislativas em setembro.

— A roupa que cobre o rosto como o niqab e a burca não tem espaço nas escolas norueguesas. É um valor fundamental poder comunicar uns com os outros — declarou o ministro interino da Imigração e Integração, Per Sandberg.

O véu integral já pode ser proibido de modo local, mas a nova medida terá dimensão nacional. Minoritário no parlamento, o governo pode contar neste caso com o apoio da maioria dos outros partidos, segundo a imprensa. A lei deve ser votada em 2018.