Morto em 1977, o ativista Steve Biko, um dos símbolos da luta contra o apartheid na África do Sul, deixou reflexões que até hoje mobilizam o movimento negro no mundo. Nos embates que travou contra a segregação, disse que “o racismo não implica apenas a exclusão de uma raça por outra. Ele sempre pressupõe que a exclusão se faz para fins de dominação”.

A consciência de que o racismo resiste e continua moldando as práticas sociais fez nascer um instituto que, desde 1992, busca a inserção dos negros no espaço acadêmico como estratégia para a ascensão social e para o combate à discriminação racial. A entidade, que não tem fins lucrativos, ostenta o nome do ativista sul-africano, em Salvador.

Pioneiro, o Instituto Steve Biko promove há 25 anos um curso preparatório gratuito para o vestibular voltado para estudantes negros e negras, que tenham formação no ensino público e com baixa renda comprovada. Desde que começou a atuar, já recebeu mais cinco mil estudantes e foi responsável pelo acesso de mais de 1.500 no ensino superior.

Aos 39 anos e recém-aprovada no curso de pedagogia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Nívea Maria da Silva Trindade, que é ex-aluna do instituto, reflete sobre o papel da educação na ascensão da população negra nas universidades.